Uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais cumpriu oito mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (28) em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. A ação tem como alvo empresas ligadas ao grupo de construção civil Precon. Dois mandados foram cumpridos em Pedro Leopoldo, enquanto um mandado foi cumprido em Rio Acima e outro, em Lagoa Santa.
Segundo as investigações, o esquema teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 26 milhões aos cofres públicos, envolvendo práticas de sonegação fiscal, fraude contábil e lavagem de dinheiro.
De acordo com o apurado, desde 2020 o grupo declarava valores de ICMS sem efetuar o pagamento. Para evitar cobranças, as empresas realizavam transferências patrimoniais entre si, dificultando a localização de bens pelas autoridades.
O promotor Rodrigo explicou que a estratégia consistia na criação de um conglomerado empresarial com divisão formal de patrimônio. "Para quem vê de fora, é uma marca forte no mercado. Formalmente, uma empresa ‘quebra’ e transfere bens para outra. Quando o Estado tenta responsabilizar, não encontra patrimônio, pois ele já foi deslocado dentro do próprio grupo", afirmou.
A coordenadora da Receita Federal em Belo Horizonte, Carolina Zanforim, destacou que esse tipo de prática é comum em casos de devedor contumaz. "Após a primeira denúncia, a empresa retira bens do próprio patrimônio para frustrar a execução fiscal do tributo devido", explicou.
Batizada de "Coluna de Areia", a operação contou com a participação do Ministério Público, das receitas estadual e federal, além das polícias Civil e Militar. Durante a ação, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos que devem auxiliar no aprofundamento das investigações.
As autoridades apontam indícios de confusão patrimonial entre empresas do grupo e uso de companhias para ocultação e movimentação de recursos. Há suspeitas de crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e possível associação criminosa.
A Justiça determinou o bloqueio de bens, incluindo veículos e imóveis. Até o momento, não houve prisões.
As investigações seguem em andamento, e novas operações não estão descartadas. A empresa citada não se manifestou até a publicação desta matéria.